VICTOR BIGLIONE

Uma Guitarra no Tom
Delira

A bossa nova, ao contrário do jazz, ressente-se da falta de renovação. Continua sendo tocada da mesma forma que há cinquenta anos, e ninguém parece preocupado em experimentar e descobrir novas abordagens. O tributo de Biglione a Jobim é uma saudável exceção. Ele interpreta as músicas pelo ângulo do jazz, desde a instrumentação (não há um só violão nos arranjos, nem voz) até as progressões harmônicas. Assim, é possível descobrir algo de novo e refrescante em temas como “Lígia”, “Mojave”, “Chovendo na roseira” e “Look to the sky (Olha pro céu)”. Enquanto “Lígia” fica bem climática, outras, como “Vivo sonhando” e “água de beber”, são recheadas por solos de bebop. Já as releituras de “Samba de uma nota só” e “Só danço samba” soam mais familiares, por já terem sido bastante exploradas por músicos de jazz. Ao contrário do que se poderia esperar, nenhum astro da bossa comparece como convidado à o que talvez tenha sido proposital, para não tirar o foco do jazz. A guitarra de Biglione é acompanhada apenas pelo baixo acústico de Sérgio Barrozo e a bateria de André Tandeta. Jobim e a bossa nova mereciam essa homenagem.

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