Ornette Coleman – O libertador do jazz

O free jazz foi a revolução mais radical ocorrida até hoje nesse gênero musical. Cinquenta anos depois, ainda há críticos que confessam não conseguir gostar do estilo, e grande parte dos jazz�filos acha que tudo que ele produziu não passa de barulho e confusão. A “culpa” é de Ornette Coleman, o saxofonista que libertou o jazz de sua estrutura convencional.

Ele nasceu em 09 de março de 1930 em Fort Worth, Texas, e come�ou a tocar sax alto aos quatorze anos. Na década de cinquenta, formou em Los Angeles um grupo com o trompetista Don Cherry e o baterista Billy Higgins. Em 59, os três foram para Nova York, onde formaram um clássico quarteto com Charlie Haden no contrabaixo. 

O grupo lançou no mesmo ano “The Shape of Jazz to Come”, com sua obra-prima “Lonely woman” (que Coleman toca até hoje nos shows, como fez em novembro de 2010 em São Paulo). Mas, se já apontava para o futuro, seu estilo ao sax alto ainda era muito influenciado pelo bebop do ídolo Charlie Parker. 

A nova forma do jazz veio definitivamente em 1960, com o manifesto do movimento, “Free Jazz”, no qual dois quartetos tocavam simultaneamente é o dele e o do saxofonista Eric Dolphy (com o trompetista Freddie Hubbard, o baixista Scott LaFaro e o baterista Ed Blackwell). Os oito músicos improvisavam não com base na estrutura harmônica dos temas, mas de forma livre, e todos ao mesmo tempo.

Em 69, ele formou outro grupo com Haden, Blackwell, o saxofonista tenor Dewey Redman e seu filho Denardo Coleman (percussão). Durante alguns anos, pesquisou e gravou música indiana, africana e árabe. Em 75, formou a banda elétrica Prime Time, com duas guitarras, dois baixos e duas baterias. Começou a chamar atenção do público roqueiro, o que se consolidou com os LPs “Song X” (gravado com Pat Metheny em 85) e “Virgin Beaty” (de 88), com participação de Jerry Garcia, do Grateful Dead.

Nos anos 80 e 90, ele escreveu, tocou e gravou pe�as sinfônicas. Nos últimos anos, vem produzindo menos. O CD mais recente, “Sound Grammar”, de 2006, traz um quarteto de formação atípica: sax, percussão e dois contrabaixos. Foi com esse grupo que ele veio ao Brasil.

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