Morre o último gênio da bossa

O violonista, cantor e compositor João Gilberto Prado Pereira de Oliveira morreu em casa, no Leblon (Rio de Janeiro) em 06 de julho, de causa ainda não divulgada. Tinha 88 anos

João Gilberto foi um dos inventores da bossa nova, além de criar um estilo próprio de cantar e tocar que influenciou artistas ao redor do mundo. Ele não foi um compositor prolífico, mas deixou canções influentes e regravadas por muitos outros artistas, como “Bim bom” e  “Um abraço no Bonfá”.

Sua personalidade errática e polêmica ficou tão famosa quanto sua música. Ele às vezes cancelava shows quando já estava no palco, reclamando, por exemplo, que o ar condicionado desafinaria o violão, ou porque pessoas na plateia estavam conversando.

Nascido em Juazeiro (BA), em 1931, Gilberto despontou no final da década de 50, quando, já morando no Rio de Janeiro, uniu-se a Tom Jobim, Vinicius de Moraes e outros para criar canções que, a grosso modo, fundiam o suingue do samba e a sofisticação do cool jazz – um novo ritmo que ficou conhecido como bossa nova.

Em 1964 ele lançou com o saxofonista americano Stan Getz o álbum “Getz/Gilberto”, que popularizou a bossa nos Estados Unidos e é até hoje um dos discos mais vendidos na história do jazz. Foi também o primeiro lançamento do gênero a ganhar o Grammy como “melhor álbum do ano” (além de vencer em mais três categorias), em 1965. Tom Jobim e Astrud Gilberto, na época esposa de João, também participaram do álbum.

Incentivado pelo sucesso da bossa nos Estados Unidos, João mudou-se para lá, vivendo quase vinte anos naquele país, até o começo da década de 80, quando voltou ao Rio de Janeiro. Sua primeira mulher, Astrud, e a filha Bebel Gilberto também se tornaram cantoras famosas. Ele foi casado também com a cantora Miúcha.