“METAMORFOSE”

Edu Gomes

Eldorado

Por Helton Ribeiro

Edu Gomes foi, por vinte anos, o guitarrista da Irmandade do Blues, de São Paulo, uma das mais cultuadas bandas de blues-rock do país. “Metamorfose” já é seu quarto álbum solo, lançado pela conceituada gravadora Eldorado, mas só disponível online, adequando-se a esses novos e estranhos tempos.

O trabalho foi uma forma de aproveitar produtivamente o tempo livre imposto pelo isolamento social durante a pandemia de Covid-19. E cada músico gravou sua parte na própria casa. O nome do álbum refere-se a esse período que trouxe uma grande e rápida mudança para a vida de todos no mundo.

Edu adotou um estilo bastante diferente do antigo grupo. O álbum é instrumental, embora não na linha do jazz ou da chamada música instrumental brasileira. Em geral não há longos solos, nem arranjos complicados, mas texturas sonoras ora densas, ora atmosféricas, que adornam e/ou encorpam melodias esculpidas com carinho.

“Imagens de sonho”, a faixa de abertura, é o melhor exemplo do trabalho metódico de construção dos arranjos. Um rock como não se costuma fazer no Brasil, com várias guitarras ao mesmo tempo, proporcionando uma riqueza de timbres e detalhes que traz surpresas a cada audição.

As influências mais mais aparentes são do rock progressivo, como em “Anima”, “Persistência” e na guitarra “pinkfloydiana” mais para o final da faixa título. “Ventura”, por outro lado, é um hard rock. A jazzística “Fluido” tem um belo solo de piano (cortesia de Adriano Grineberg), enquanto em “Suave’” o solo de guitarra é puxado ao blues. É o tipo do álbum perfeito para degustar em casa, sem pressa, nesses longos dias de pandemia.

Para as gravações Edu formou um quarteto com o velho parceiro Grineberg (piano e sintetizadores), Airton Fernandes (baixos elétrico e acústico) e seu filho Caio Gomes (bateria). A cantora Sonia Santhelmo e o baixista Fabio Zaganin fazem participações especiais. A capa sobrepõe imagens gráficas do vírus da Covid-19 a fotos feitas por sua esposa, Sheila Oliveira, das flores que Edu levava para ela quando fazia trilhas nas matas.

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