“108 – NAMES OF GOD”

Grineberg
Independente
Por Helton Ribeiro

Peço licença ao leitor para uma introdução. Iniciei há sete meses uma travessia por treze países do sul ao norte da África. Pelo caminho ouço muita música do continente, em todo lugar: ônibus, táxis, rádios em alto volume, shows e pesquisas na internet. O mesmo que venho fazendo pelas poeirentas estradas africanas Adriano Grineberg faz viajando pela música. Seu novo álbum, “108 – Names of God”, tem me acompanhado como parte da trilha sonora da minha jornada pela África.

Depois de construir sólida reputação como um dos mais talentosos e requisitados músicos de blues do Brasil, o pianista e organista de São Paulo mergulhou nas raízes africanas do gênero, com os excelentes “Blues for Africa” e “Key Blues!!!”, e agora amplia seus horizontes incorporando elementos de outras regiões do planeta e outros gêneros musicais. Tudo com uma espiritualidade latente, que aflorou em experiências na Índia.

A amplitude de referências é inacreditável: “Ahura Mazda” (“Fogo Sagrado”) é um mantra do zoroastrismo cantado em persa antigo! “Shakti” homenageia divindades femininas de várias religiões: hinduísmo, budismo, candomblé e cristianismo. Outras músicas são cantadas em hindi (“Ek Bar”) e na língua paquistanesa qawali (“Allah Hoo”).

Musicalmente é o mesmo mosaico: “Ahura Mazda” tem uma estrutura de raga indiano; o solo de piano em “Shakti” mescla rhythm & blues de New Orleans e jazz; “Oxum Xirê” remete tanto a Baden Powell quanto ao garage rock dos anos 60; as guitarras de Fabá Jimenez em “Hara Mahadeva” e “Xangô Hara” são também bastante roqueiras, enquanto o piano elétrico dessa última revisita o jazz. Por fim, “Allah Hoo” inclui esparsos elementos de blues, enfatizados pela guitarra slide.

Além de Fabá Jimenez, os músicos Fábio Sameshima (baixo), Marco da Costa (bateria) e Wanderson Silva (percussão) acompanham Adriano nessa grande viagem.  Uma curiosidade:  a capa do CD  mostra uma escultura da mãe do pianista, Leida Grineberg, “Maternidade”, e as mandalas geométricas do encarte  foram desenhadas pelo próprio músico, durante suas viagens pela Índia.

“108” é o melhor exemplo de que a música não precisa ter fronteiras. Como costumo dizer, meu país é o mundo. O dele também.

4 comentários em ““108 – NAMES OF GOD”

  • 7 de julho de 2020 em 23:57
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    • 28 de agosto de 2020 em 05:11
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