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Alemão cria aparelho para “tocar” fatias de árvores
Vasco Faé

Clique Para ampliar! O alemão Bartholomäus Traubeck inventou um aparelho que cria música a partir de troncos de árvores cortados no formato de um LP de vinil. Os sulcos do tronco fatiado transmitem sinais que são convertidos em peças musicais tocadas ao piano, e então gravadas. O resultado lembra um pouco música clássica moderna ou mesmo new age.

O cantor e multiinstrumentista Vasco Faé, de São Paulo, fez uma entrevista exclusiva para a Blues’n’Jazz com o músico e inventor alemão.

-Vasco Faé: Mesmo não sendo músico, você já pensou em transcrever em partituras as músicas de “Years” e montar uma apresentação? Quem sabe até sincronizada com uma montagem visual de fotos do crescimento das árvores das quais você fez a leitura musical, mostrando o ambiente, o clima, a aparência delas?
-Traubeck: Não pensei ainda.

-Vasco Faé: Vimos que a leitura da fatia do tronco se dá de fora para dentro, ou seja, conta uma história do fim para o começo. Você chegou a pensar nisso? Pensou em testar a rotação inversa e mesmo realizar uma leitura de dentro para fora da fatia, ou seja, do começo para o fim dos anos?
-Traubeck: Existem três motivos para isso. Um é a analogia visual para um pick up normal, que vai de fora para dentro. Outro é que você pode “experienciar” a informação desde o dia em que ela foi cortada até o dia em que nasceu, o que foi um bom pensamento para mim. Outro motivo ainda é que normalmente os padrões visuais da fatia de tronco se tornam mais intensos em direção ao centro, então as faixas ficam com um teor de dramaturgia do leve ao intenso, o que funciona melhor do que o contrário.

-Vasco Faé: Percebe-Vasco Faé: se que cada faixa de “Years” possui uma tonalidade do início ao fim, isso foi programado por você ou foi o leitor que você usou que interpretou assim?
-Traubeck: Isso é feito através de um software. As faixas são harmonizadas de acordo com as primeiras notas que são tocadas. Isso também pode ser desligado, o que se tornaria ainda mais interessante ao meu ver, mas como esse processo foi usado no primeiro vídeo, do qual as pessoas gostaram muito, eu mantive assim.

-Vasco Faé: Não que seja essa a definição eterna do que é música, mas tendo como base o conceito de que música teoricamente seria uma organização sonora deliberada, até que ponto você considera “Years” um trabalho musical ou um experimento sonoro?
-Traubeck: Para mim é um pedaço de arte sonora em primeiro lugar, a experimentação e parte artística foi definitivamente o foco. Eu não armei nada pensando em fazer música, mas em fazer uma máquina que pode gerar composições dessas fatias de árvores. Mas, a partir do momento que a gravação saiu, eu recebi um grande feedback das pessoas em geral, e vi que para algumas dessas pessoas a música é a parte importante, para elas a parte experimental é apenas uma boa história de fundo para o álbum.

-Vasco Faé: Se você usar sua máquina duas vezes na mesma fatia, sairá o mesmo registro sonoro, ou cada vez que a máquina processa a fatia ela lê de uma maneira diferente?
-Traubeck: As gravações terão os mesmos padrões e texturas, mas é muito improvável que serão tocadas exatamente as mesmas notas, já que é um processo que depende muito mesmo da iluminação, detalhes da câmera e também da posição da fatia da árvore no momento que inicia. Então você terá sempre o mesmo tipo de música, realmente faixas muito similares, mas algumas notas podem não ser tocadas, ou algumas novas podem surgir, porque a câmera pode perder um pouco ou capturar um pouco mais que da última vez.

-Vasco Faé: Como tem sido a aceitação dessa música maravilhosa por pessoas não especializadas?
-Traubeck: Algumas realmente não gostam, dizem que soa muito aleatório para elas. Outras se concentram nos padrões sonoros e nos elementos de textura recorrentes e parecem aproveitar quando pensam sobre o trabalho, a madeira e tudo isso. E ainda tem aqueles que simplesmente gostam de escutar a música. Eu tive que fazer uma nova prensagem dos primeiros 500 vinis, e também tem os compradores dos downloads digitais no site Bandcamp, que são todo tipo de gente, não apenas artistas ou músicos. Então, na minha opinião, as pessoas gostaram de "Years" mais do que imaginei que gostariam. Mas uma coisa que sempre acaba acontecendo é questionarem sobre como isso funciona. As pessoas querem saber como foi feito; algumas ficam desapontadas que sejam apenas composições geradas com base nas informações contidas nos anéis de idade dos troncos, ao invés de a madeira conter algum tipo de música inscrita nela mesma. Mas eu fico feliz em colocar de lado esses tipos de conceitos esotéricos.

-Vasco Faé: Você acredita que essa música seja capaz de despertar sentimentos naturais nas pessoas? E em você, sentiu algo diferente ao escutar “Years”?
-Traubeck: Definitivamente, embora minha percepção seja muito diferente. Cada pessoa tem uma percepção de um trabalho artístico, mas eu sou mais focado nos sistemas que podem ser encontrados na natureza, bem como na música. Eu gosto de estruturas e padrões.

-Vasco Faé: Quanto tempo você levou desde o momento que teve a idéia até concretizar o que temos hoje no álbum completo?
-Traubeck: A instalação levou aproximadamente um ano e meio desde a ideia até a realização. A gravação do álbum levou outros dois anos, porque a princípio, na verdade, eu não queria gravar isso. Mas as pessoas ficaram me pedindo por gravações, pois queriam escutar mais do que apenas uma faixa. Então, em determinado ponto, eu aceitei e fiz a gravação do vinil. Agora estou muito feliz com essa decisão.

-Vasco Faé: Existe a possibilidade de você alterar o tom da música quando faz a leitura e transposição? Ou ainda de você alterar o tipo de escala que está sendo usada para interpretar a captação óptica?
-Traubeck: Sim, existe, mas acho o piano perfeito para se encaixar na estrutura da informação que a máquina gera. O piano também é um instrumento neutro, menos associativo do que outros, pelo menos. A forma mais “limpa", provavelmente, seriam ondas senoidais ou sínteses em geral, mas eu tentei e não gostei dos resultados. Então eu voltei a algo que funcionasse como um instrumento se justapondo a um reprodutor sonoro, um computador e um piano dariam um espaço muito mais interpretativo do que se tivesse um sintetizador tocando isso.

-Vasco Faé: Você acreditaria em realizar esse tipo de trabalho usando o código de DNA humano, ou o código de DNA de qualquer outra forma de vida?
-Traubeck: Eu acho que tem uma centena de maneiras para sonorizar o DNA humano, em meu caso não enxergo o ponto de inspiração que me faria realizar isso no momento. Na minha imaginação “Years" já está fazendo essa função, ja que é a sonorização do resultado da interação do DNA de uma árvore com seu meio ambiente (resultando nos anéis dos anos).

-Vasco Faé: Você sente alguma semelhança ou alguma relação entre as músicas e as aparências “arvorísticas” das árvores que foram captadas? Você pode explicar?
-Traubeck: Desde que o processo é visual (a camera lê e interpreta a informação óptica), a relação é muito próxima. Se a distância entre os anéis é maior, como numa conífera, por exemplo, a música será mais calma e minimalista. Um freixo crescente com uma alta densidade de anéis soará mais agitado e aflito.

-Vasco Faé: Você consideraria “Years” como a voz das árvores? Ou diria que é outra coisa?
-Traubeck: Para mim “Years" é uma instalação que gera composições musicais baseadas nas texturas de fatias de madeiras. Nada mais e nada menos.

______________________
Publicado em 21/12/16
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