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B.B. King, o eterno rei do blues
Por Helton Ribeiro

Clique Para ampliar! Apesar da origem humilde, ele já nasceu com nome de rei. Seus pais, que colhiam algodão em uma fazenda nos arredores de Itta Bena (uma cidadezinha do Mississipi), o batizaram como Riley B. King.

Mas sua infância foi muito dura. Os pais se separaram quando ele tinha apenas quatro anos. Aos nove ele perdeu a mãe; foi então adotado pela avó, mas ela morreu no ano seguinte. Por fim só restou ao garoto passar a trabalhar em troca de moradia e comida.

Foi a igreja que o tirou do inferno. Nela, o pequeno Riley começou a cantar em um coral e aprendeu rudimentos de guitarra com um pastor. Aos 18 anos mudou-se para a vizinha cidade de Indianola, onde continuou colhendo algodão e, nos dias de folga, passou a tocar nas esquinas da principal rua da cidade, em troca de gorjetas dos passantes.

Nessa época ele formou um quarteto gospel, o St. John’s Gospel Singers. O grupo começou a se apresentar pelas cidadezinhas da região, até que Riley decidiu tentar a sorte na cidade grande. Em 46 ele deixou para trás o grupo gospel, o trabalho na plantação e a primeira esposa, Martha (com quem havia se casado em 44), e foi de carona para Memphis à procura de um primo, o guitarrista Bukka White (que se tornaria outra lenda do blues). Mais experiente, Bukka ensinou a ele como tocar blues de verdade e até como se apresentar no palco. Enquanto não conseguia trabalho, Riley perambulava pela Beale Street, a rua boêmia, repleta de bares com música ao vivo.

Cara de pau, ele bateu à porta também da rádio onde o gaitista Sonny Boy Williamson apresentava um programa de blues, na vizinha cidade de West Memphis (Arkansas). Williamson, já famoso na época, resolveu dar uma chance para o garoto e o colocou no ar. Fez mais: arranjou trabalho para ele em um bar da cidade, onde o iniciante guitarrista passou a se apresentar regularmente.

Pouco depois era Riley que conseguia uma vaga de apresentador, na rádio WDIA. Utilizando o nome de Beale Street Blues Boy, e depois Blues Boy King (mais tarde abreviado para B.B. King), ele anunciava produtos como tonificante e cigarros, tocava ao vivo, discotecava e anunciava seus shows.

Em 49 gravou seu primeiro disco por um pequeno selo de Nashville, sem muita repercussão. Mas três anos depois estourou nacionalmente com o clássico “Three o’clock blues”, pela RPM, subsidiária da poderosa Modern. Em 53 ele deixou a rádio e passou a excursionar com muito sucesso. Outros hits como “Rock me baby”, “Everyday I have the blues” e “Sweet little angel” lhe permitiram montar uma banda com naipe de metais, um luxo para a época (em 55 o grupo chegou a ter 13 integrantes).

O estilo de King, inspirado em guitarristas elegantes como Lonnie Johnson, T-Bone Walker e o jazzista Charlie Christian, já estava formado: os bends e vibratos que fazem a guitarra chorar; o vocal ora suave e declamatório, ora tenso e angustiado, e a sofisticação dos metais.

Nos anos 50 King firmou-se como um dos bluesmen mais ativos, fazendo em média 300 shows por ano. Mas a vida na estrada não era fácil naquela época. Brigas na platéia eram frequentes e uma dessas, em uma cidade do Arkansas, quase lhe custou a vida. Dois homens se atracaram por causa de uma garota chamada Lucille, e na confusão acabaram provocando um incêndio no bar. Todos fugiram, mas King voltou para buscar sua guitarra e escapou por pouco das chamas. Depois do episódio ele resolveu batizar o instrumento de Lucille, nome que virou um fetiche e foi imortalizado pelo modelo de guitarra que ele criou, uma variante da Gibson ES-355.

A década de 60 confirmou e ampliou o sucesso do astro. Ele conquistou as platéias brancas tocando em templos do rock como o Fillmore, e alcançou as paradas de sucesso de música pop com canções como “Rock me baby”, “Paying the cost to be the boss” e “How blue can you get”. Em 70, lançou seu maior sucesso, “The thrill is gone”, e ao longo da década tocou na África, na Austrália, no Japão e na extinta União Soviética. As constantes turnês, que já passaram por mais de noventa países, renderam ao rei outro título, o de “embaixador do blues”.

Ele tornou-se um ícone da música americana, não apenas da música negra americana. Tanto que gravou duetos com astros do jazz (Diane Schuur), do country (Willie Nelson) e do rock (Eric Clapton, U2). Ganhou quatorze Grammys e foi eleito pela revista Guitar Player o terceiro maior guitarrista da história, ficando atrás apenas de Jimi Hendrix e Duane Allman.

Hoje a casa noturna mais badalada da Beale Street é o B.B. King’s Blues Club. Memphis, por sinal, erigiu uma estátua em sua homenagem. A rua principal de Indianola, em cujas esquinas ele angariava uns trocados, agora chama-se B.B. King Road. E a algumas quadras dela foi criado em 2005 um museu dedicado a ele, orçado em U$ 10 milhões. Nenhum bluesman poderia sonhar com tanto. Mas o garoto pobre chegou lá.

Em seus últimos anos de vida, a saúde foi abalada pela diabetes e o excesso de peso. Ele se locomovia em cadeira de rodas e passava a maior parte dos shows sentado. No começo de 2015, foi hospitalizado duas vezes às pressas. A segunda, em 14 de maio, foi por pressão alta associada à diabetes. Ele recebeu alta e voltou para casa, em Las Vegas, mas morreu em seguida, enquanto dormia. Tinha 89 anos. O blues ficou órfão.

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Publicado em 15/05/15
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