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Biografias
Johnny Winter, o albino de alma negra
Por Edson Travassos e Helton Ribeiro

Clique Para ampliar! Johnny Winter, conhecido como “Texas Tornado”, tinha como características mais marcantes (além do fato de ser albino, magro e vesgo) uma voz forte e agressiva, o fraseado rápido e uma habilidade incomum na técnica da guitarra slide. Como uma contrapartida americana de Eric Clapton, foi o mais influente guitarrista branco de blues em seu país (ou pelo menos até o advento de Stevie Ray Vaughan). Além disso, era um bluesman diferente. Apesar de ter nascido albino no Texas, tinha alma de negro do Mississipi.

Seu pai, nascido no Mississipi (em Leland), era oficial das Forças Armadas, e conheceu a esposa prestando serviço em Beaumont (Texas), onde John Dawson Winter III nasceu em 23 de fevereiro de 1944. A família viveu alguns anos em Leland antes de estabelecer-se definitivamente em Beaumont, por isso Johnny manteve vínculos com o Mississipi, onde sempre passava os verões. Até os doze anos, ele sempre dizia que era de lá, não do Texas. Mais tarde diria em uma entrevista: "Eu amo o Mississipi. De lá veio todo o blues do mundo".

O pai cantava em um coral de igreja e tocava saxofone, o que influenciou definitivamente a sua vida e a de seu irmão mais novo, Edgar, que também nasceu albino e o acompanhou em diversas bandas, por muito tempo, tocando piano.

Johnny iniciou sua vida musical aos cinco anos, tocando clarinete. Em pouco tempo trocou o instrumento por um ukelele (instrumento havaiano que parece um pequeno violão). E, incentivado pelo pai, logo que suas mãos cresceram o suficiente, trocou o ukelele pelo violão. Mesmo em Beaumont e mais ainda em Houston, onde a família foi morar mais tarde, ele cresceu cercado por muita música negra (blues, soul e gospel) e muita música branca (country e rock dos anos 50). Já aos onze anos fez sua primeira apresentação na TV, ao lado do irmão Edgar, em um programa de calouros.

Em 1959, aos 15 anos de idade, fundou com Edgar sua primeira banda, a Johnny Jammers, também conhecida como Johnny Winter's Orchestra. A banda continuou até 1962, quando fundou a Johnny Winter and His Crystaliers, que logo passou a se chamar The Coustaleers, com a qual gravou seu primeiro single, com as músicas “Night ride” e “Geish rock”. A partir daí gravou muitos outros singles, sempre acompanhado do irmão, e ganhou grande notoriedade local como guitarrista.

Após alguns discos bem sucedidos comercialmente, gravando sob diversos nomes, inclusive o de Texas Guitar Slim, ele largou os estudos de vez e passou um tempo com amigos em Chicago. Em 63, de volta ao Texas, gravou o single “Eternally”, que se tornou um grande hit regional e lhe proporcionou abrir shows para nomes como The Everly Brothers e Jerry Lee Lewis.

Em 68, o guitarrista formou um trio com "Uncle" John "Red" Turner (bateria) e Tommy Shannon (baixista que anos depois faria parte da Double Trouble, de Stevie Ray Vaughan). Tocando com eles, Johnny foi visto por um jornalista da Rolling Stone, que o descreveu na revista como "o som mais quente além de Janis Joplin". O artigo resultou em um contrato com a Columbia Records, para a qual ele gravou, com este mesmo trio, seu primeiro LP solo, produzido por ele próprio: “Johnny Winter”.

Em 69, já fazendo enorme sucesso e com centenas de shows agendados, gravou “Second Winter”, acompanhado do irmão Edgar ao piano. O disco trazia uma cara mais rock, com clássicos como “Johnny B. Goode” (Chuck Berry) e “Slippin’ and slidin’” (Little Richard). O disco tinha uma curiosidade, era um álbum duplo com apenas três lados, sendo o quarto lado vazio. Isso se deu porque Johnny não quis abrir mão de nenhuma música gravada, e o som que queria (o mais alto possível) precisou ser gravado nos discos ocupando mais espaço, de forma a driblar algumas limitações técnicas da época.

Em 70, gravou “Johnny Winter And”, acompanhado de Rick Derringer (guitarra), Randy Jo Hobbs (baixo) e Randy Z (bateria). Com a mesma banda, gravou em 71 “Live Johnny Winter And”, seu maior sucesso de vendas.

Nesta época, Johnny se complicou com o consumo de heroína, o que, somado a uma crise de depressão suicida, levou-o a se internar para tratamento por nove meses. Em 73, recuperado, ele voltou aos palcos e gravou “Still Alive and Well”, mantendo sua fórmula de sucesso, que misturava covers de rock com canções pop e algumas composições suas. Em 74, gravou “John Dawson Winter III”, e desde então lançou muitos outros, como “Saints and Sinners” (74), “Captured Live” (76) e “White, Hot and Blue (78). Além disso, produziu alguns discos de Muddy Waters, dois deles ganhadores do Grammy.

Em 84 Winter gravou “Guitar Slinger” pela Alligator Records, que foi indicado ao Grammy e acabou gerando o seu primeiro vídeo, “Dont Take Advantage of Me”, que passou meses na programação da MTV. Em 88, passou a figurar no Blues Foundation Hall of Fame.

Sua carreira foi declinando devido aos sérios problemas de saúde acarretados pelas drogas. Nos 90 ele gravou apenas três álbuns; na década seguinte, dois. Sua distância dos estúdios foi compensada com o lançamento, a partir de 2007, de uma série de CDs oficializando gravações piratas, “Live Bootleg Series”, a exemplo do que tinha feito Frank Zappa e outros também passaram a fazer.

Nos últimos anos de vida, já bastante debilitado, ele tinha que se manter sentado durante as apresentações. Devido a esses problemas, sua vinda ao Brasil foi anunciada e cancelada várias vezes, até que em 2010 ele finalmente fez uma turnê por várias cidades do país.

Em 16 de julho de 2014 Johnny Winter foi encontrado morto em um hotel em Zurique, na Suíça. O último disco que tinha acabado de gravar, “Step Back”, teve lançamento póstumo, pouco mais de um mês depois. Ele faria nova turnê no Brasil em outubro – já tinha um show marcado em São Paulo, no dia 12.

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Publicado em 12/01/15
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