Novo projeto leva grandes nomes do blues a Fortaleza

  por Janaína Guedes

 

 

Fortaleza está firmada no cenário blueseiro do Brasil como um pólo significativo. Além do já consagrado Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga, a ensolarada capital cearense abriga agora o Projeto Fábrica do Blues – Diálogos Musicais. A proposta é permitir a interação entre o Blues e outros gêneros. São bem vindos flautistas clássicos, bateristas ou saxofonistas de jazz, pandeiristas de chorinho ou de samba, violonistas de MPB e sanfoneiros. Esse princípio, além de retratar a mesclagem da música brasileira, agrega geração de renda para vários segmentos sem que se perca qualidade.

   O show piloto aconteceu em maio passado, na boate Fabbrica 5, com a participação do guitarrista carioca Big Joe Manfra lançando o CD “Help the Dog” (Blues Time Records), do guitarrista cearense Felipe Cazaux. No palco, músicos de diferentes gêneros deram temperos variados. “A receptividade do público foi espetacular. E isso nos mostrou caminhos e possibilidades de aprimoramento”, explica o jornalista Roberto Maciel, curador do projeto.

   Em 4 de agosto, o gaitista carioca Flávio Guimarães, da Blues Etílicos, abriu oficialmente o Fábrica do Blues com grupo de percussionistas Os Batuqueiros. Blues, Jazz, Jongo e Maracatu cearense compartilharam a atenção de uma platéia animadíssima, no Anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

   Flávio, já tarimbado em fusões, mostrou que o Blues pode dialogar com gêneros diferentes e que, por ser a raiz de toda a música pop ocidental, é um elemento riquíssimo para se estimular a diversidade musical e cultural, facilitando assim a troca de informações não só entre os artistas que se apresentam, mas entre estes e o público. 

   No fim de agosto, dia 31, também no Centro Dragão do Mar, a segunda sessão levou a Fortaleza o guitarrista carioca Big Gilson, que se apresentou com a banda formada pelos músicos cearenses Gabriel Ramalho (voz e gaita), Cláudio Mendes (guitarra), Netto Krapula (bateria) e Klaus Sena (baixo). Como convidado especial, o saxofonista Bob Mesquita - um dos mais importantes jazzistas no Ceará.

   O terceiro show da série teve outra uma figura-símbolo do blues nacional, o gaitista paulistano Sérgio Duarte, no dia 26 de outubro. E inaugurou mais uma etapa do projeto, levando o Blues para o BNB Clube de Fortaleza. “A mudança cumpre o princípio de abrir novos e qualificados espaços para músicos de um gênero importantíssimos, mas que ainda tem o estigma do underground”, explica o jornalista Luiz Carlos de Carvalho, produtor-executivo do Fábrica do Blues. 

   Sérgio, um dos pioneiros do Blues no País, foi acompanhado por uma banda especialmente formada para o show, reunindo nomes referenciais do gênero em Fortaleza: Roberto Lessa, guitarrista da banda Blues Label; Marco Aurélio Holanda, baixista da Gangue da Cidade; Ricardo Pinheiro, baterista da Renegados; e Leonardo Vasconcelos, tecladista, também da Blues Label. A participação especial ficou a cargo do violonista Cainã Cavalcante - um músico de 17 anos que impressiona pela técnica e pelo virtuosismo. Juntos, Sérgio e Cainã tocaram clássicos como O Trenzinho do Caipira, de Heitor Villa-Lobos.

   O próximo show também será no BNB Clube, no dia 23 de novembro. E terá uma proposta pra lá de inusitada: as teclas do piano de Blues, sob a responsabilidade do paulista Flávio Naves - uma das melhores referências do órgão Hammond no País -, que terá como convidado o também tecladista Leonardo Vasconcelos e a gaita nordestina de Diogo Farias. É a primeira vez que um pianista assume o centro do palco num projeto de Blues no Ceará.

 

Responsabilidade social

 

   Além de oferecer boa música ao público e de permitir o intercâmbio entre artistas locais e nacionais, o Projeto Fábrica de Blues desenvolve atividades de responsabilidade social. A cada evento é agregado um workshop, realizado na Escola Viva Música Viva, também em Fortaleza. O acesso do público aos workshops é feito mediante a doação de livros em bom estado.

   “Os livros arrecadados, de qualquer gênero, são repassados à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, para composição de acervos de bibliotecas de escolas ou outras instituições públicas”, diz Luiz Carlos. “Optamos por variar da antiga fórmula do ‘um quilo de alimento não-perecível’ porque entendemos que é preciso também dar substância à educação e à cultura”, finaliza.

 

NOVEMBRO DE 2007

 

 

 

 

 

 

Gilson (à direita) tocou com saxofonista de jazz (foto: Fernanda Santiago)

 

 

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