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  VÁRIOS - Santana Presents Blues at Montreux 2004

 (ST2)  

Por Helton Ribeiro

    

   Cada vez menos DVDs e CDs internacionais de blues têm saído no Brasil. Por isso, chega a ser surpreendente um lançamento tão luxuoso: um DVD triplo, com shows de Buddy Guy, Clarence Gatemouth Brown e o pouco conhecido (mas muito bom) Bobby Parker. Santana é o elo de ligação entre eles, participando de animadas jam sessions no final das apresentações. Para quem estranha, é bom lembrar que o grupo do mexicano chamava-se inicialmente Santana Blues Band.

   Buddy Guy começa sozinho ao violão, e mesmo num set acústico mantém a pegada forte e o vocal dramático, indo de gritos a sussurros. Interpreta Good morning little schoolgirl emulando Skip James, um verdadeiro achado. Inova também na manjada Got my mojo working, que começa só com seu violão e a guitarra de Ric Hall. O nível cai quando entra a banda, com o saxofonista despejando clichês de jazz fusion. Mas Buddy ainda tem muitos trunfos na manga: passeia pela platéia tocando e se esgoelando em Drowning on dry land; volta ao palco carregando a tiracolo o organizador do festival, Claude Nobs, e termina a música fazendo uma espécie de slide com uma baqueta de bateria. A jam session é uma festa, com Santana, Bobby Parker, Nile Rodgers (do Chic) e a cantora Barbara Morrison em Stormy Monday, So many roads e outras.

   Gatemouth Brown surpreende pela vitalidade aos 80 anos, em um show impecável. Faz uma ótima exibição ao violino em Drifter, e toca guitarra com seu jeito estranho, sem flexionar os dedos. O repertório traz a habitual mistura de gêneros – jazz (I’m beginning to see the light, Bits and pieces), cajun (Sunrise cajun style) e, claro, blues (Further on up the road, Got my mojo working, Strange things happen etc). Vale notar que é na jam com ele que Santana toca blues de forma mais tradicional – e ainda empresta a guitarra para Buddy dar uma canja também.

   A presença de Bobby Parker, a princípio, parece mera curiosidade arqueológica: um bluesman de sucesso mediano nos anos 50 resgatado do esquecimento meio século depois. Ledo engano. Como dizia uma antiga propaganda de televisão, quem não é o maior tem que ser o melhor. O obscuro guitarrista residente em Washington consegue superar os dois mestres com um show forte e uma voz que vai dos graves encorpados de Bobby Bland aos gritos em falsete de James Brown. A formação da banda, com gaita e sax atuando como naipe de metais, é interessante. Boas composições do guitarrista, como Watch your step e It’s unfair, intercalam clássicos (Nothing but the blues, I ain’t superstitious, Going down slow e até Straight no chaser, de Thelonious Monk). Na jam com Santana, Parker entra fora do tom em Chill out, mas dá a volta por cima em Mellow down easy e Watch your step.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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