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 Anita O'Day and Billy May, Bill Evans, Charlie Byrd, Chet Baker, Count Basie & Oscar Peterson, Count Basie Big Band, Dave Brubeck, Dave Brubeck with Bill Smith, Ella Fitzgerald & Joe Pass, Freddie Hubbard/Oscar Peterson, John Coltrane, Kenny Burrell/Jimmy Rainey, Modern Jazz Quartet/ Milt Jackson Quintet, Oscar Peterson/Joe Pass/Ray Brown, Oscar Peterson and the trumpet kings, Sarah Vaughan e Wes Montgomery

 (Universal)  

Por Helton Ribeiro

  

 Para alegria dos jazzófilos, parece interminável o catálogo de selos como Pablo, Riverside, Milestone, Fantasy e Verve, que a Universal vem lançando no Brasil em sucessivos pacotes. Dessa vez, além dos vinte títulos listados acima, foram relançadas as obras-primas Steamin’ (Miles Davis), Thelonious Monk with John Coltrane, Brilliant Corners (Monk), Jazz at Massey Hall (The Quintet) e Chet, de Chet Baker, mais as ótimas coletâneas The Art of the Ballad (Chet Baker) e The Incredible Jazz Guitar (Wes Montgomery), todas já resenhadas em edições passadas da BLUES'n'JAZZ.

Em disco de 1960, Anita O’Day, uma das maiores cantoras do jazz, brinca com as sílabas e o ritmo de canções da dupla Rodgers and Hart, como It never entered my mind, Have you met Miss Jones? e Little girl blue. Os arranjos da orquestra de Billy May nem sempre são de bom gosto, mas O’Day mantém a classe. Vale principalmente pelo fato de que poucos CDs dela foram lançados no Brasil, uma covardia comparando-se com a enxurrada de lançamentos de Billie, Ella e Sarah.

O CD de Bill Evans contém metade da sessão em que ele gravou, em 63, seu primeiro LP de piano solo, uma obra-prima que levou 20 anos para ser lançada. Passagens inquietas como no medley My favorite things/Easy to love/Baubles, bangles and beads deixam perceber a turbulência que ele vivia, consumido pela heroína.

O violonista Charlie Byrd, um dos primeiros a divulgar a bossa nova no exterior, fez sucesso com esse disco de 63, cheio de clássicos como Desafinado, Meditação, Samba triste, O barquinho e Coisa mais linda, além de algumas composições próprias. Ele até que toca bem, com influência de flamenco, mas a percussão onipresente é de doer.

Chet Baker recrutou em 58 um time de feras de Nova York (o saxofonista Johnny Griffin, o pianista Al Haig, o baixista Paul Chambers e o baterista Philly Joe Jones) para realizar um disco de hard bop. É bom e interessante, embora ele demonstre em Polka dots and moonbeams que o cool jazz da costa oeste era realmente sua praia. Três faixas estão também em The best of, que inclui My funny Valentine e Moonlight in Vermont, do histórico quarteto com Gerry Mulligan.

Difícil imaginar dois pianistas tão distintos entre si do que Count Basie e Oscar Peterson. Mas é justamente o contraste entre a economia e a simplicidade bluesy do primeiro e a exuberância técnica do segundo que faz de Night Rider um disco delicioso. Dá para imaginá-los sorrindo um para o outro enquanto trocam acordes na suingada faixa-título ou em 9:20 special. Peterson ainda troca o piano pelo órgão em Memories of you. Ao contrário do inédito encontro, Fun Time é um dos muitos discos que Count Basie gravou em Montreux (este, em 75). A orquestra, com o cantor Bill Caffey, executa com a competência e o suingue de sempre One o’clock jump, In a mellow tone, Body and soul e outras.

Plays and plays and é um disco de piano solo de Brubeck, que não está entre seus trabalhos mais significativos (e sofre com a comparação ao de Bill Evans citado acima). Em compensação, em Near-Myth, ele procura ir além de si próprio. O clarinetista Bill Smith, adepto do experimentalismo, sugeriu ao pianista fazer um disco conceitual, sobre personagens da mitologia. Além disso, artifícios como percutir as cordas do piano com baquetas ou usar uma surdina no clarinete criaram efeitos psicodélicos (o final de Siren song) ou misteriosos (Baggin’ the dragon).

Os dois CDs de Ella são bastante diferentes entre si. Na antologia de blues ela é esfuziante em standards como St. Louis blues, Happy blues e Billie’s bounce. Uma curiosidade: repare que em Basella a cantora ri por ter tossido bem no meio de uma frase. Ninguém é perfeito. Joe Pass incentiva seu lado mais sofisticado em dois shows realizados em 75 (na Alemanha) e 83 (no Japão). Em One note samba (Samba de uma nota só) eles fazem um duelo de tirar o fôlego. Wave e Cherokee são outros números de destaque.

Coltrane foi a estréia do saxofonista como líder, em 1957, depois de acompanhar Miles e Monk. Em faixas como Bakai e Chronic blues ele confirmava ser um grande solista, mesmo que não ainda revolucionário. The Best of John Coltrane é uma boa surpresa, pois não se trata de coletânea, mas de gravações ao vivo de 1963. A qualidade do áudio não é das melhores, mas sua performance em Afro blue e nos quase dezoito minutos de Bye-bye blackbird é fantástica.

Dois estilos bem diferentes de guitarra podem ser comparados (e apreciados) no dueto do bluesy Kenny Burrell e o menos conhecido Jimmy Raney, adepto do bebop. O trompetista Donald Byrd e o saxofonista Jackie McLean dividem com eles os solos. As composições são quase todas dos integrantes do grupo.

MJQ reúne gravações do Modern Jazz Quartet e de seu vibrafonista, o grande Milt Jackson, preenchendo uma grande lacuna, pois pouquíssimos CDs foram lançados no Brasil do grupo que criou a third stream (terceira via, para usar uma expressão contemporânea). São quatro faixas do início da carreira do grupo, em que se destacam All the things you are e La ronde. O quinteto de Jackson inclui três quartos do Modern Jazz, e a substituição de John Lewis por outro excepcional pianista, Horace Silver.

Em 1974 e 75, Oscar Peterson gravou quatro discos sucessivos em duetos com Dizzy Gillespie, Clark Terry, Roy Eldridge, Harry Sweets Edison. Jousts compila os melhores momentos da série, acrescidos de uma faixa com Jon Faddis. Outro rei do trompete, Freddie Hubbard, ficou de fora mas depois também gravou um disco com o pianista (e Joe Pass na guitarra), em 86. Sua energia em All blues e Tippin’ é impressionante. Giants traz uma surpresa: a música Jobim, escrita por Peterson e Joe Pass. Entre os pontos altos do disco estão I’m getting sentimental over you, Caravan e Blues for Dennis..

Os dois volumes em que Sarah Vaughan dedicou-se ao repertório de Ellington são clássicos (falta lançar aqui o primeiro). Brincando com gêneros musicais, ela começa I ain’t got nothing but the blues como um spiritual. Rocks in my bed tem um dueto vocal com o saxofonista Eddie Vinson. I don’t mean a thing e I got it bad and that ain’t good são outras pérolas.

A compilação de Wes Montgomery enfoca o fértil período de 59 a 63, com temas como Cotton tail, Freddie the freeloader e uma belíssima ‘Round midnight. Uma curiosidade: o autor de Remember, Carl Perkins, não é o astro do rock’n’roll, mas um pianista de jazz homônimo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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