Resenhas Anteriores:

Gaspo "Harmônica" & Oly Jr. : "Na capa da gaita"

Manifesto Blues: "Bluz'in"

Marcelo Watanable:  "Acoustic & Eletric"

Marcelo Watanable & Rio Preto All Stars: "Black River Blues"

Hubert Sumlin: "I'm the Back door Man"

John Primer: "All right"

Adrian Flores: "Blues from the deep south"

  Wayne Shorter: "Beyond the soud Barrier"

 

 

 Nina Simone "Live at Montreux 1976", Joe Pass "Norman Granz' Jazz in Montreux '75 and '77", Chick Corea & Gary Burton "Live at Montreux 1997", Gary Burton & Makoto Ozone "Live at Montreux 2002"

 (ST2)  

Por Helton Ribeiro

  

 

   A ST2 lança mais um expressivo pacote do catálogo gravado ao vivo no festival suíço.

   O de Nina Simone, além do show integral de 76, traz como extras parte das apresentações de 87 e 90. O primeiro é um dramático registro de suas turbulentas apresentações na época. Ela havia abandonado os Estados Unidos dois anos antes, descontente com o racismo, e não esconde a frustração em discursos desconexos e no folclórico mau humor. Como um João Gilberto de saias, reclama do microfone, da platéia e da vida. Nos intervalos, mostra sua genialidade. Subverte a letra da ingênua Feelings: “Eu gostaria de nunca ter visto isso”, um dos versos, parece resumir o que ela presenciou e viveu em seu país. E, para exorcizar os fantasmas, troca o microfone e o piano por uma dança africana. Os extras, sem essa carga emocional, trazem belas versões de algumas de suas músicas mais conhecidas, como Ne me quitte pas, My baby just cares for me e I love you Porgy.

   O DVD de Joe Pass, que registra dois shows do guitarrista no festival suíço, é uma revelação. Pois uma coisa é ouvi-lo em CD. Outra, desconcertante, é ver a facilidade com que ele executava as harmonias e as frases melódicas mais difíceis. Por isso Pass chegou a ser chamado o “Art Tatum da guitarra”, em comparação com o pianista mais técnico da história. Em Blues for Martin e What a wonderful world ele soa como dois guitarristas, solando e se acompanhando ao mesmo tempo com grande destreza. Além de muitos blues e standards de jazz, o músico mostra intimidade com a MPB, iniciando Manhã de carnaval com uma citação de Tristeza não tem fim. Entre os extras, úteis comentários do crítico Nat Hentoff, que contextualizam sua obra.

   Chick Corea e Gary Burton, em duo acústico, foram recebidos com gala no festival suíço. Ao contrário da maioria dos shows feitos lá, Corea e Burton tiveram direito a iluminação e cenografia especiais, que dão a impressão de estarem em um teatro. O repertório é basicamente do disco Native Sense: The New Duets, que tinham acabado de gravar, acrescido de duas músicas do Return to Forever, o antigo e famoso grupo de Corea. Piano e vibrafone demonstram rara empatia em 3 e criam um clima onírico em Love castle. Corea faz uma leitura bastante pessoal de Four in one, de Monk; manipula a estrutura interna do piano em La fiesta, e explora ritmos latinos em Tango ‘92 e Rhumbata.

   Cinco anos depois, Burton voltou em outro duo, com o pianista japonês Makoto Ozone. Consagrado em seu país, Ozone é um virtuoso, com inclinação para o stride (Hole in the wall, Opus half). Burton foi o mentor do jovem pianista, que demonstra sua admiração e reverência pelo mestre. A sofisticação do vibrafonista justifica uma série de peças eruditas de Ravel (Le tombeau de Couperin), Rachmaninov (Prelude VIII, opus 32), Scarlatti (Sonata K20) e outros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Assine a Blues'n'Jazz