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 JOHN COLTRANE, CHARLES MINGUS, SONNY ROLLINS, MCCOY TYNER, KEITH JARRETT, ALBERT AYLER, PHAROAH SANDERS, ARCHIE SHEPP, ALICE COLTRANE, GATO BARBIERI -"The Impulse Story"

 (Universal)  

Por Helton Ribeiro

  

 O selo Impulse foi o celeiro do melhor jazz de vanguarda nos anos 60 e 70. Hoje pertencente à Universal, está comemorando 45 anos de atividade com esse magnífico pacote que resume em coletâneas o melhor de sua produção.

   Coltrane gravou na Impulse LPs clássicos como A Love Supreme e Live at the Village Vanguard. Além de faixas com seu histórico quarteto (A Love Supreme Part 1 - Acknowledgement, Chasin’ the Trane etc.), o CD traz duas com o quinteto subsequente, Ogunde e The father and the son and the holy ghost.

   Mingus também lançou pelo selo obras antológicas, e aqui há vários temas de The Black Saint and the Sinner Lady e Mingus, Mingus, Mingus, Mingus, Mingus. Um atrativo à parte são os melancólicos números solo de Mingus Plays Piano, onde ele mostra personalidade também em seu segundo instrumento.

   Rollins teve curta passagem pelo selo, deixando poucos discos, mas dois deles de grande envergadura: On Impulse! e Alfie. Three little words, On Green Dolphin Street, Alfie’s theme e outras faixas estão na coletânea.

   Foi na Impulse que McCoy Tyner fez as primeiras gravações como líder. No CD estão trios que incluíam Elvin Jones (Speak low) e Roy Haynes (Reaching fourth), e músicas gravadas como sideman de Coltrane (Greensleaves) e de Art Blakey (Blues back).

   Keith Jarrett produziu na Impulse uma obra bem diferente da que o celebrizou na alemã ECM. Com o superquarteto formado por Dewey Redman, Charlie Haden e Paul Motian, era inovador mas sem se distanciar do jazz. De drums, Blue streak, Konya (onde ele toca sax soprano) e o número solo Victoria são alguns destaques.

   Albert Ayler, um dos mais radicais adeptos do free, vai das dissonâncias mais caóticas (New grass) a um discurso humanista (Message from Albert), passando pelo rhythm & blues (Free at last!) e o blues psicodélico (Untitled duet). E, contrariando a tese de que free jazz é difícil, há até pianos melodiosos em Angels e Water music.

   Pharoah, considerado o herdeiro artístico de Coltrane, distingue-se do mentor pelo sopro rouco e a percussão quase sempre proeminente nos arranjos. The Creator has a master plan, seu maior sucesso, é quase uma continuação de A love supreme, de Coltrane. Astral traveling é viajandona, e Spiritual blessing ronda a new age.

   Archie Shepp é musicalmente mais acessível que Ayler e Sanders. Gravou até Garota de Ipanema, com o sax zumbindo sobre a batida de bossa nova. Por outro lado, poucos foram tão radicais politicamente. Attica blues é sobre um massacre de negros em uma penitenciária; Los olvidados, sobre os deserdados, e Malcom, Malcom – Semper Malcom, uma homenagem a Malcom X.

   Viúva de Coltrane, Alice tocava harpa, instrumento atípico no jazz, além de piano e órgão. Inquieta, explorou música indiana (Journey to Satchidananda) e clássica (Excerpts from The firebird, de Stravinsky), além do free jazz. Seus parceiros incluem boa parte do clã Coltrane: o marido, o filho Ravi e os integrantes do quinteto que foi liderado pelo casal.

   O saxofonista argentino Gato Barbieri apresentou ao público de vanguarda a música tradicional latino-americana, como samba (Encontros, com a bateria da escola de samba de Niterói), tango (Nunca mais), música andina (Índia), salsa (Viva Emiliano Zapata) e milonga (Milonga triste).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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