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 Charlie Haden - "Not in our name"

 (Universal)  

Por Helton Ribeiro

  

Nem todos são omissos na terra de Bush. “Queremos que o mundo saiba que a devastação que este governo está causando não é em nosso nome”, diz um dos maiores contrabaixistas vivos no encarte do CD. Do início ao fim, é um manifesto contra o presidente. Os títulos das músicas (muitas das quais nem são dele) falam por si só: This is not America, Goin’ home, Not in our name. Os cínicos poderão dizer que arte engajada é uma chatice. Haden, apoiado pela grande pianista Carla Bley (responsável pelos arranjos e regência), prova que não. A faixa-título, única composição dele, tem uma linha melódica simples e envolvente digna de tornar-se um standard. Os arranjos para Blue Anthem, de Bley, ombreiam os que Gil Evans fez para Miles Davis. A triste beleza de Adagio (The adagio for strings), do compositor clássico Samuel Barber, pode ser interpretada como um réquiem pelo genocídio no Iraque. Em contraposição, This is not America, de Pat Metheny e David Bowie, tornou-se curiosamente, um reggae. Na small big band, além de Haden e Bley, destaca-se o tubista Joe Daley – repare no solo vocalizado que ele faz em America the beautiful.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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