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  JOE HENDERSON - "Lush Life – The Music of Billy Strayhorn", JOHN COLTRANE & JOHNNY HARTMAN - "John Coltrane and Johnny Hartman", COLEMAN HAWKINS & BEN WEBSTER - "Coleman Hawkins Encounters Ben Webster", JIMMY SMITH - "The Cat" e DIANA ROSS - "Blue"

  (Universal)  

Por Helton Ribeiro

 

A Universal continua prestando um serviço de utilidade pública com os relançamentos históricos de seu catálogo, que engloba selos como Verve, Impulse! e até a Motown.

   Lush Life é a obra-prima de Joe Henderson, com a qual o saxofonista atingiu o topo da parada de jazz em 1991. Para reler o songbook do parceiro de Duke Ellington ele reuniu uma jovem formação all stars (Wynton Marsalis, Scott Henderson, Christian McBride e Greg Hutchinson). Cada faixa é em solo, duos, trios, quarteto ou quinteto, o que dá uma surpreendente dinâmica ao disco. Destaques: a faixa-título, só com o sax; o duelo de alta voltagem com Wynton em U.M.M.G.; o dueto com piano, que acentua a delicadeza da balada Blood count. E o incomum duo de sax e bateria, que explora todas as possibilidades de Take the “A” train.

   O disco de Coltrane é atípico. Os fãs talvez fiquem um pouco desapontados, pois, devido à natureza do projeto, ele está excessivamente contido. Mas os solos são bonitos, principalmente o de They say it’s wonderful, em que ele apenas sugere o uso das famosas sheets of notes, e o de My one and only love, em que faz o sax sussurrar. Seu superquarteto, com McCoy Tyner, Elvin Jones e Jimmy Garrison, faz o acompanhamento. Hartman dá as cartas, em baladas como They say it’s wonderful e Dedicated to you. Um pouco subestimado pela história, ele tem uma voz aveludada e elegante. Faltou empatia entre os parceiros, mas há momentos de brilho.

   Empatia é o que não faltou a dois outros mestres do sax, Hawkins e Webster, até porque o primeiro era o ídolo do segundo. Em vez de duelos agressivos, que são a regra nesses encontros, eles criaram um caminho original: às vezes um comenta o solo do outro (Shine on harvest moon), ou os dois tocam em uníssono ou oitavas (Blues for Yolande, La rosita). A estratégia gera um belo efeito, coisa de mestres. O acompanhamento é luxuoso: o trio de Oscar Peterson (com Herb Ellis e Ray Brown), acrescido da bateria de Alvin Stoller.

   Em The cat, Jimmy Smith lidera uma big band pouco convencional, com tuba e french horn. Os arranjos também são incomuns. Na faixa-título, por exemplo, os metais apenas pontuam a melodia, sem a onipresença que é comum em big bands, enquando a guitarra dialoga com o órgão. Já em St. Louis blues, é a percussão que ganha destaque. O CD apresenta músicas que ele compôs para cinema, daí o tom épico de Main title from Carpetbaggers, que contrasta com o normalmente bluesy organista.

   Por fim, esqueça a Diana Ross que você conhece. Blue é um tributo a Billie Holiday, gravado em 1972 e que não foi lançado até ser redescoberto este ano. Além do  repertório (My man, You’ve changed, Solitude etc.), parte dos músicos veio do jazz. Diana, sabiamente, foge da armadilha de imitar Billie. O timbre soa parecido, mas ela não copia a entonação nem as famosas divisões silábicas de Lady Day. O dono da gravadora disse mais tarde que, depois da experiência, foi difícil fazer Diana deixar de cantar jazz. Uma pena.

 

 

 

 

 

JOE HENDERSON - "Lush Life – The Music of Billy Strayhorn"

 

JOHN COLTRANE & JOHNNY HARTMAN - "John Coltrane and Johnny Hartman"

 

COLEMAN HAWKINS & BEN WEBSTER - "Coleman Hawkins Encounters Ben Webster"

 

JIMMY SMITH - "The Cat"

 

DIANA ROSS - "Blue"

 

 

 

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