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 THE BAD PLUS – FOR ALL I CARE

(Universal)

Por Helton Ribeiro

 Talvez seja cedo para afirmar, mas parece que o grupo mais polêmico dos últimos anos resolveu de vez “trair o movimento”. O trio, que sempre equilibrou-se na corda bamba entre o jazz e o pop-rock, agora decidiu-se francamente pelo segundo. Quase todo o CD é de covers de Pink Floyd, Yes, Nirvana e outros; as exceções são três composições eruditas (!). Mais até do que o repertório, é a presença da cantora convidada Wendy Lewis que desequilibra a balança, mantendo as melodias muito fiéis às gravações originais. Wendy é vocalista de rock e, como tal, passa longe de vibratos e scats. Em “Lithium”, seu canto certinho não combina com as dissonâncias free do piano de Ethan Iverson. E o dueto entre ela e o baixista/vocalista Reid Anderson em “Comfortably numb” não chega a ser marcante. Mas “Long distance runaround” ficou bonita, até porque os arranjos do Yes já eram razoavelmente elaborados. Para não perder o costume, a banda fará os roqueiros também torcerem o nariz para “How deep is your love” (isso mesmo, aquela dos Bee Gees). Igualmente ultrajante foi desenterrar “Barracuda”, um hard rock descartável dos anos 70. Curiosamente, a canção resultou em uma das melhores faixas, e não é difícil entender por que: a melodia é tão simples que deixa campo aberto para os improvisos, quase como no jazz modal. No final das contas, “For All I Care” está mais para rock bem tocado e criativo do que para algum tipo de jazz. Era mais divertido e ousado quando o grupo se empenhava em confundir; agora que esclareceu – “rock é rock mesmo” –, perdeu um pouco a graça. Mas essa guinada talvez tenha sido apenas mais uma brincadeira. Quem sabe o próximo CD seja de standards do jazz. Afinal, The Bad Plus continua surpreendendo.

 

 

 

 

 

 

 

 

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