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  Vários - American Blues, Mississipi Blues, Blues Lounge e Zydeco

(Putumayo)

Por Helton Ribeiro

  

   

    O pacote de blues da Putumayo vai muito além do óbvio, como é praxe no caso dessa gravadora americana.

   American Blues traça um panorama do gênero, incluindo suas raízes e descendentes. Tem B.B. King (Get you next to me, em dueto com o guitarrista Arthur Adams), Otis Rush (I got the blues), Robert Cray & Albert Collins (She’s into something), o gospel tardio de Solomon Burke (None of us are free), o rhythm & blues de Ruth Brown (Good day for the blues) e o boogie woogie do gaitista Sunpie (Sunpie’s romp & stomp).

   Mississippi Blues também não se restringe a artistas desse estilo, como Mississippi John Hurt (Make me a pallet on your floor) e Arthur Big Boy Crudup (Mean ol’ Fisco). Tem Chicago (Luther Allison com Part time love, Junior Wells em Come on in this house), rhythm & blues (Ike & Tina Turner com 3 o’clock in the morning e Bobby Bland em St. James infirmary) e o guitar boogie de John Lee Hooker (Baby don’t do me no wrong).

   Blues Lounge traz a contemporânea e ousada fusão de blues e tecno inaugurada pelo astro das pistas Moby, que está na coletânea junto a outros DJs, produtores e alguns músicos. A dupla belga Gare du Nord sampleou Come on in my kitchen, de (e com) Robert Johnson. Outro clássico do Delta blues, Death letter, de Son House, foi regravado pelo veterano bluesman do Mississipi Johnny Farmer, e depois remixado pelo grupo Organized Noize, de Atlanta. John Henry’s blues e Parchman blues, ambas das famosas gravações de presidiários registradas pelo pesquisador Alan Lomax na penitenciária do Mississipi, foram remixadas pela dupla Tangle Eye, de New Orleans. Enquanto isso, Moby já está um passo adiante com Run on, que sampleia o spiritual Run on for a long time.

   Um dos muitos descendentes do blues, o zydeco é um ritmo típico da Louisiana, dançante e que tem o acordeão como principal instrumento (por isso, os brasileiros costumam achá-lo parecido com o forró). A coletânea tem os dois grandes mestres do gênero, Clifton Chenier e Boozoo Chavis, e os melhores artistas contemporâneos: Buckwheat Zydeco, Beau Jocque, Geno Delafose, Chris Ardoin, Keith Frank e outros.

 

 

 

 

 

 

 

 

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