Entrevista: Coco Montoya

Por Ugo Medeiros

    

 

    Em carreira solo desde 1993, o guitarrista norte-americano é hoje um dos grandes representantes do blues. Após passar pela banda de Albert Collins e pelos Bluesbreakers de John Mayall, Coco viaja pelo mundo com uma inseparável Stratocaster, e impressiona o público com seu feeling e a pegada blues-rock. Ao fim de sua apresentação no 7º Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, em junho, ele bateu um papo bem descontraído sobre o começo da carreira.

   Nos anos 70 você tocou bateria na banda de Albert Collins. A partir da relação com ele você passou a tocar guitarra. Você o considera seu grande mestre na guitarra?

   Com certeza! Ele foi a maior influência na forma que eu toco e na minha vida, foi como um pai para mim. Apesar de eu ter escutado outros grandes guitarristas, como Eric Clapton e os Kings (B.B., Albert e Freddie), Albert Collins foi o músico que mais me marcou.

   Você decidiu ser músico após ver Albert King no palco, em 69. O que você diria sobre ele?

   Um ícone único. Ele é um daqueles guitarristas, assim como Albert Collins, que é impossível imitar, pois tem um estilo próprio. Ao escutar uma nota da sua guitarra o ouvinte já o reconhece. Esse é o sonho de todo músico, ser reconhecido de primeira pela música, mesmo que seja para dizer: “Ah não, esse tal de Coco Montoya é insuportável (risos)”. 

    Depois, você integrou o Bluesbreakers por dez anos. O que você aprendeu com John Mayall?

   Ele me deu autoconfiança, pois eu era muito inseguro. Por Deus, eu estava na banda que Eric Clapton participou! Mayall sempre me falou para tocar o melhor que pudesse, independente do que os outros achassem.

   Durante a passagem pelo Bluesbreakers, você tocou com Walter Trout. Como foi essa parceria?

   Posso dizer uma coisa sobre o Walter, ele vem daqui (apontando para o coração). Um guitarrista incrível e um cara sensacional, que faz tudo de coração. Às vezes nos vemos e tocamos em alguns festivais, como nos tempos de Bluesbreakers. Somos muito amigos.

   Você tem uma pegada típica de blues-rock. Além dos mestres do blues, quais as bandas de rock que mais te influenciaram?

   Eu sempre gostei dos guitarristas de blues-rock. Eric Clapton foi uma grande influência, pois eu gostava muito do Cream. Jimi Hendrix também, mas um pouco menos. Eu escutava outras bandas, casos de Wishbone Ash (grupo que contou com excelentes músicos), Mike Bloomfield e Jeff Healey (um grande amigo que tocava como ninguém). Nossa, tinha muita coisa para escutar…

   O seu disco Can’t Look Back (2002) foi produzido por Jim Gaines. Como foi trabalhar com o cara que produziu músicos do calibre de Santana e Stevie Ray Vaughan?

   Ele é sensacional, um grande profissional e, ainda sim, muito simples. Aprendi muito com ele, já que Jim é das antigas. Todos que gravaram com ele tiveram grandes trabalhos. Eu, realmente, adoro aquele cara.

   Sua carreira solo começou em 93. Você acha que seu som mudou ao longo desses anos?

   Espero que sim, pois eu gosto sempre de tentar coisas novas. Tem certas sonoridades que quero manter, mas no geral gosto de inovar. Estou gravando um disco novo, espero que vocês gostem do que estou fazendo.

 

 

 

 

 

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Fã do Cream e de Wishbone Ash
(foto: Cezar Fernandes)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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